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Betel Adultos – 4º Trimestre de 2018 – 07-10-2018 – Lição 1: Neemias: Um homem dedicado à obra de Deus

02/10/2018

Esse post é assinado por Cláudio Roberto de Souza

TEXTO ÁUREO

Neemias 1:4
4 E sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus. (ARC)

TEXTO DE REFERÊNCIA

Neemias 1:1-3
​1 As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza,

2 que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que restaram do cativeiro e acerca de Jerusalém.
3 E disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo. (ARC)

OBJETIVOS DA LIÇÃO

  • Apresentar quem foi Neemias;
  • Apresentar o contexto histórico-político da época em que Neemias viveu;
  • Mostrar como as reações de Neemias podem ser úteis para o cristão hoje.

INTRODUÇÃO

Paz seja convosco nobres professore(as), vocacionados(as) e até alunos(as) que utilizam os esboços da EBD Comentada.

Iniciamos o quarto e último trimestre de 2018 no mesmo vigor que encerramos o terceiro. Feliz pela vida dos milhares de irmãos que tem acessado a área do nosso blog e de outros que tem assinado algum dos nossos planos.

Nesta oportunidade estudaremos o livro de Neemias, cujo título é o nome do personagem principal deste compêndio bíblico. 

Ao lermos este livro, encontramos nele princípios importantíssimos e atuais sobre liderança. O presbítero Ulisses Horst Duque destaca: visão, planejamento, motivação, empreendimento, prudência e capacidade de decisão.

Mais do que isso, esta obra nos aponta o caminho da liderança vitoriosa que administra tensões internas e externas sem jamais perder o foco principal.

James Hunter, aplicando os princípios do seu famoso livro “O monge e o executivo” (best seller), enfatiza a importância do líder servo. Neemias, certamente, ergue-se como um dos maiores modelos do mundo de um líder servo. Ele continua sendo uma referência depois de mais de dois mil anos de como exercer a liderança no centro da vontade de Deus.

Para J. Oswald Sanders, parece haver uma evidente falta de liderança forte, segura, carismática que nossa época confusa necessita com tanta urgência. Por isso, o estudo de Neemias e a oportunidade de abrir clareiras e apontar novos rumos para essa liderança.

Antes de tudo, o livro de Neemias e um manual que trata da restauração.

Quanto a estrutura do livro, Neemias, formava um só livro com Esdras na Biblia Hebraica. A Septuaginta trazia os dois também como um só livro. Ambos relatam o mesmo fato central: a volta do povo judeu da Babilônia, após setenta anos de cativeiro, para a reconstrução da cidade de Jerusalém.

Neemias foi um dos organizadores mais enérgicos da restauração pós-exílica, encabeçando a terceira leva de judeus que retornaram do exílio babilônico para Jerusalém.

O destacado compromisso e amor pela cidade de Jerusalém demonstrados por Neemias se evidenciam pelas suas reações e o firme propósito de se colocar pronto para, de alguma forma, ajudar a mudar o cenário de tamanha desordenação social e civil.

1 – NEEMIAS E A OBRA DE DEUS

Neemias é no hebraico “n’hemyáh” e quer dizer: “confortado por Javé” ou “Javé consola”. Este é um nome bastante apropriado para o período pós cativeiro.

A Bíblia nos diz que Neemias era filho de Hacalias (Ne 1.1) e os eruditos afirmam que era homem nascido no cativeiro Babilônico.

Ele foi copeiro do rei persa (Ne 1.11) e alguns estudiosos afirmam que Neemias pode ter sido o principal ou chefe dos copeiros no reino da Persa (copeiro-mor).

Contexto histórico político

Ele vivia em um contexto histórico político bastante conturbado, pois a poderosa Babilônia havia sido destituída do posto de grande líder mundial. Ela confiou na sua grandeza, orgulhou-se do seu poder e a soberba a levou a queda. Um novo império se levantou em seu lugar e dominou o mundo: o Império Medo-Persa.

A política expansionista desse reino era diferente. A Babilônia arrancava os súditos da sua terra e os levava cativos, enquanto, o Império Medo-Persa adotava a política de manter os súditos em seu próprio território.

Paul Freston assim descreve a política medo-persa: “A política imperial persa era o oposto da dos babilônios. Era um “neo-imperialismo” mais brando, “anistiando” os exilados, permitindo e até incentivando a volta às suas terras de origem. Ciro incentivava também as religiões dos povos colonizados, devolvendo os seus objetos sagrados, patrocinando a reconstrução dos seus templos, pedindo as suas intercessões. Muito além das motivações políticas de Ciro está a mão de Deus”.

Dessa forma, o rei Ciro determinou a volta dos cativos quando tomou conhecimento que Isaías havia profetizado a seu respeito, de que seria o instrumento para enviar de volta os judeus a sua terra, a fim de reconstruir o templo e reedificar os muros e a cidade (Is 44.28).

Hernandes Dias Lopes afirma que no princípio, muitos ficaram na Babilônia e não quiseram voltar. A geração que fora para o cativeiro já estava idosa e a que nascera na Babilônia havia se aculturado.

No entanto, o que prevalece é mesmo o retorno do povo judeu para a terra pátria. E o povo voltou em três levas:

1) Sob a liderança de Zorobabel para reconstruir o templo;

2) Sob a liderança de Esdras para ensinar a Lei;

3) Sob a liderança de Neemias para reconstruir os muros.

Tanto Esdras como Neemias voltaram sob o governo de Artaxerxes I (465-424 a.C.).

Os que voltaram enfrentaram a proposta sedutora dos samaritanos para se associarem na reconstrução do templo. Os judeus rejeitaram a proposta veementemente, pois perceberam que os samaritanos não estavam interessados na reconstrução de Jerusalém, mas na destruição do próprio povo judeu (Ed 4.1-3; 2Rs 17.24,33,34).

A rejeição foi motivada por sentimentos religiosos e não por preconceito racial (Ed 6.21). A questão não era racismo, mas fidelidade doutrinária.

A rejeição da oferta samaritana provocou forte oposição e a construção do templo foi paralisada por ordem do rei Artaxerxes (Ed 4.11-21). O resultado foi que a cidade ficou despovoada (Ne 11.1). O povo voltou para Jerusalém, mas a restauração ainda não havia acontecido. O templo, a cidade e o povo estavam debaixo de grande miséria e opróbrio.

Nesse interim, Neemias recebeu a visita de Hanani na cidadela de Susã, a residência de inverno dos reis persas, no ano 444 a.C., no vigésimo ano de Artaxerxes I (464-423), ou seja, treze anos depois de Esdras subir a Jerusalém, e 142 anos depois do cativeiro babilônico (Ed 7.7).

Essa visita de Hanani foi providencial (Ne 1.1-4). A partir dela um novo horizonte se abriu na vida de Neemias e um novo futuro chegou para a cidade de Jerusalém. Aquele foi o “kairós” de Deus, o tempo da oportunidade.

Randy Phillips diz que o termo “oportunidade”, em latim, significa “seguir em direção ao porto”. Na antiguidade os marinheiros empregavam o vocábulo para designar o momento em que a maré e os ventos lhes eram favoráveis, facilitando a entrada no porto. Assim que percebiam que as condições meteorológicas eram boas, içavam logo as velas para tirarem o máximo proveito do tempo. Da mesma forma, Neemias aproveitou essa oportunidade e içou as suas velas no sentido de restaurar a cidade dos seus pais.

1.1 – Um homem que não esqueceu suas origens

Impressiona alguém que não nasceu em Jerusalém ou sequer nos termos de Israel demonstrar tão alto grau de patriotismo.

Aproveito o espaço para constatar que em véspera de eleições presidenciais, o nosso Brasil está sob a forte ameaça de uma implantação total do comunismo nos níveis da nossa vizinha Venezuela e um dos mais fortes sinais da falta de patriotismo revelado em um indivíduo ou grupo é quando escarnecem da bandeira do seu país (queimando-a, pisoteando-a, rasgando-a) ou a substituem por outra (bandeira vermelha do comunismo).

Em boa parte do nosso povo, falta patriotismo, mas Neemias revelou esse sentimento no seu mais alto nível, quando mesmo não nascido nas terras de Israel, condoeu-se pelo estado do lugar onde nasceram os seus pais. Apenas o sangue judeu correndo em suas veias, foi suficiente para despertar nele o mais grau de civismo.

Neemias estava muito bem acomodado e numa excelente posição para se importar com um problema onde muitos de nós consideraríamos alheio.

Neemias estava disposto a renunciar:

1 – Uma vida confortável, pois vivia no maior palácio do império Persa e nada lhe faltava;

2 – Os bons relacionamentos, pois gozava da amizade e o afeto do maior monarca da terra (Artaxerxes I);

3 – Segurança, pois era residente de Susã, considerada um lugar impenetrável e onde estava o destacamento da guarda real de Artaxerxes I.

4 – Excelente emprego, pois era copeiro do rei e como disse anteriormente, poderia ser o chefe dos copeiros. Cabia a Neemias, sempre que o rei fosse beber o seu vinho, experimentar primeiro, verificando se não havia veneno devido às grandes conspirações que dominavam o espírito da maioria dos homens daquela época.

Segundo os historiadores, um copeiro não era apenas o personagem que experimentava as bebidas, antes, porém, era também um confidente que ouvia os mais íntimos desabafos e revelações do monarca.

A despeito das regalias do conforto, dos relacionamentos, da segurança e do emprego que o local de sua habitação proporcionava, Neemias transbordava apreço e patriotismo pela terra paterna, e revelava sensibilidade e piedade para com o seu povo que se achava miserável e desprezado; bem como para com Jerusalém, cujos muros estavam fendidos e as portas queimadas a fogo (Ne 1.3).

Logo, constatamos que Neemias estava se propondo a deixar o sossego da fortaleza de Susã e viajar até Jerusalém (distante por cerca de 1500km), para enfrentar adversidades e perigos eminentes, ir até uma terra que poderia ser chamada até aquele momento de terra de ninguém, pois seus inimigos estava de posse da cidade: Os moabitas, os amonitas, os asdoditas, os árabes, e ainda os mistos samaritanos; eles estavam dentro da cidade santa, com sua idolatria seus costumes; o nome de Deus não era glorificado através daquele povo.

O desafio era gigantesco! Aiden Wilson Tozer, diz que Deus está procurando pessoas com as quais possa fazer o impossível. Neemias foi o achado de Deus no cativeiro, pois foi um homem que não somente se sensibilizou diante da situação, mas se comoveu em si mesmo e assim agiu para ajudar o seu próximo, mesmo que tal atitude implicasse em sofrimento e perigos pessoais.

Neemias tinha consciência que mesmo em cativeiro era abençoado e assim decidiu ser um canal de bênçãos para aqueles que viviam em horror.

Quantos de nós estamos dispostos a nos levantar para abençoar o nosso semelhante, compartilhando de recursos ou oferecendo a nós mesmos para auxiliar?

Tiago exorta-nos que a fé sem obras é morta e que vendo o irmão ou a irmã nus ou com falta de mantimento os despedir em paz, a fé é morta (Tg 2.14-17) e Paulo se prontifica a se gastar pelas almas dos irmãos mesmo que não fosse amado pelos mesmos (2Co 12.15).

Reflitamos na vida de Neemias e a comparemos com a nossa, pois conforme disse Hernandes Dias Lopes, Neemias e um líder que ora e age, que fala e faz, que planeja e motiva, que confronta e consola, que busca a glória de Deus e o bem do povo e não sua própria promoção. Sua vida e um exemplo, sua liderança e um estandarte, seu trabalho e um monumento.

Portanto, nos espelhemos nele!

1.2 – Um homem comprometido

O dicionário secular conceitua a palavra comprometimento da seguinte forma:

Comprometimento é um substantivo masculino que significa a ação de comprometer ou se comprometer com alguém ou alguma coisa.

A palavra comprometimento tem origem no termo em latim “compromissos”, que indicava o ato de fazer uma promessa recíproca. Por esse motivo, comprometimento é um sinônimo de compromisso e requer responsabilidade da parte de quem se compromete.

Neemias, demonstrou tal virtude e isto se revelou quando mesmo distante de Jerusalém, evidenciou o seu interesse e preocupação pelo seu povo quando perguntou por eles: ”… e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que restaram do cativeiro e acerca de Jerusalém” (Ne 1.2b).

A coragem de fazer perguntas vai mudar a sua vida, afirma o irmão André. A vida de Neemias nunca mais foi a mesma depois que fez a pergunta exposta acima.

A resposta a esta pergunta impactou profundamente a vida de Neemias: “Disseram- me. Os restantes, que não foram levados para o exilio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas, queimadas” (Ne 1.3).

Hernandes Dias Lopes afirma: “quando você toma conhecimento de um problema, se torna responsável diante de Deus pela solução desse problema. Se você não está interessado em ajudar, não faça perguntas. Perguntar a alguém como vai, sem ter tempo, disposição e esforço para ajudar é uma consumada hipocrisia”.

Para ele, os líderes encontram seus propósitos nas necessidades que os cercam. Necessidades a nossa volta são outdoors de Deus a apontar-nos nosso ministério. O fardo precede a visão e a visão leva a ação.

Para Neemias, a resposta recebida gerou nele um senso de responsabilidade altíssimo. Ele simplesmente não poderia mais viver da mesma forma tendo agora a consciência de como estavam os seus patrícios e a cidade de Jerusalém. A notícia o abalou seriamente.

Após 4 meses da notícia recebida, Neemias está na presença do Rei que percebe a tristeza de seu semblante (Ne 2.2). Ao revelar a causa do pesar algo acontece.

A confidência de Neemias ao rei revelou-se a porta aberta para que os propósitos de Deus se estabelecessem ante ao homem comprometido pela Sua causa.

Impressiona como o Senhor movimenta os recursos quando evidenciamos compromisso na Sua obra. Milagres acontecem quando há responsabilidade e comprometimento

1.3 – Um homem em constante vigilância

Por Cláudio Roberto de Souza

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