Buscar no blog

Betel Adultos – 2º Trimestre 2023 – 28-05-2023 – Lição 9 – Esaú – as bênçãos da promessa por um prato de lentilhas

27/05/2023

Evangelista Cláudio Roberto de Souza

TEXTO ÁUREO

Mateus 6:33

33 Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. (ARC)

TEXTOS DE REFERÊNCIA

Mateus 22:2-5

2 O Reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho.

3 E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e estes não quiseram vir.

4 Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas.

5 Porém eles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, e outro para o seu negócio; (ARC) 

OBJETIVOS DA LIÇÃO

  • Apresentar as bênçãos da primogenitura; 
  • Mostrar o desprezo de Esaú à bênção da primogenitura; 
  • Citar os efeitos de desprezar as bênçãos de Deus.

INTRODUÇÃO

Olá, irmãos(ãs), paz do Senhor.

Nesta oportunidade iremos abordar o episódio bíblico que pode causar imensa tristeza ao coração daqueles mais sensíveis a espiritualidade da vida com Deus. Estudaremos o trágico caso de Esaú, filho de Isaque e irmão de Jacó, que desprezou a bênção da primogenitura, porém, iremos ver também, que mesmo quando alguém desconsidera algo que o Senhor lhe concede, o próprio Deus, fará com que outro assuma as responsabilidades para que o seu perfeito plano se concretize.

Devemos recordar que ao pai de Isaque (Abraão), o Senhor fez grandiosas promessas, a fim de que as famílias da terra fossem abençoadas em sua descendência. Em Isaque encontramos a continuidade das promessas e em sua posteridade (Esaú e Jacó) encontramos a sequência para o cumprimento daquilo que Deus disse em Gênesis 12.1-3.

Nada poderá impedir que o projeto de Deus se realize nesta terra (Is 43.13). Em sua soberania, fidelidade, graça e poder, o que Ele decidiu fazer, será feito e nada frustrará os Seus objetivos (Jó 42.2).

A rejeição da bênção da primogenitura por parte de Esaú, contrariou as expectativas apenas sob o aspecto humano, pois no plano de Deus, tudo corria como determinado. É o que veremos a seguir. 

1 – AS BÊNÇÃOS DA PRIMOGENITURA

Para compreendermos melhor a história em que Esaú voluntariamente rejeita a bênção da primogenitura, é necessário entender o que significava tal bênção nos tempos antigos, em especial, no período dos patriarcas.

O renomado teólogo Norman Russell Champlin explica: A palavra hebraica correspondente a termo primogênito é bekor, que tem algumas formas variantes, como bekirah e bakar, vem de uma raiz que significa «irromper», uma alusão ao processo do nascimento, ocorre por cerca de cento e vinte vezes no Antigo Testamento, com suas variantes, desde Gên. 4:4 até Zac. 12:10. No grego temos uma única palavra, protôtokos, empregada no Novo Testamento por oito vezes, em Luc. 2:7; Rom. 8:29; Col. 1:15,18; Heb. 1:6; 11:28; 12:23; Apo. 1:5. E o substantivo, prototókia, aparece por uma vez, em Heb. 12:16. A derivação desse vocábulo grego é importante, sobretudo quando aplicado a Jesus. Procede de duas outras palavras gregas, prótos, «primeiro», e tíkto, «dar à luz». Essas palavras, no hebraico ou no grego, eram usadas a respeito de seres humanos ou de animais. 

Em Israel, um filho primogênito do sexo masculino, em todas as famílias, bem como o primogênito de todos os seus animais, eram consagrados ao Senhor, em comemoração ao juízo com que Deus castigou os primogênitos do Egito. Várias provisões da legislação judaica conferiam privilégios especiais aos filhos primogênitos: 

  1. Um primogênito recebia uma dupla porção da herança, — ou das propriedades do pai da família (Deu. 21:17). Isso constituía o seu direito de primogenitura. Contudo, esse direito podia ser transferido. Ver Gên. 21:15-17; 25:31,32. 
  1. O filho mais velho oficiava como sacerdote da família, na ausência do pai, ou quando o pai falecia. 

O termo primogênito denota também aquilo que é supremamente excelente, capaz de prestar serviço especial a Deus. Isso pode ser aplicado especialmente à pessoa de Jesus Cristo. Mas também é uma ideia implícita na doutrina geral dos primogênitos, no tocante a homens e a animais”.

Bruce Waltke resume afirmando que o primogênito mantinha a posição de honra no seio da família, tanto que Israel, como primogênito de Deus, recebe uma posição de honra entre as nações (Êx 4.22; Jr 31.9). O primogênito da madre (Êx 13.2; Dt 15.19) e as primícias do solo (Dt 18.4; Ne 10.38,39) pertencem singularmente ao Senhor. O primogênito desfruta de status privilegiado (43.33; 49.3) e o direito de sucessão (2Cr 21.3); assim, por sua primogenitura, ele recebe uma porção dobrada da herança paterna (Dt 21.17).

Portanto, veremos como Esaú renunciou tamanha responsabilidade e não demonstrou qualquer sensibilidade ao valor da bênção desprezada.

1.1 – Bênçãos de prosperidade

Certa feita li em algum lugar que o verdadeiro significado de prosperidade é você se preparar para uma viagem e simplesmente conseguir chegar ao destino. Este conceito parece bem diferente daqueles que ouvimos por aí. Em suma, o que o autor quis dizer é que uma pessoa próspera é aquela que está em deslocamento para determinado lugar e Deus irá prover os recursos necessários para que durante a jornada, ela consiga chegar ao seu destino. No caminho, ela poderá ajudar outros, emprestando ou doando recursos providos pelo Senhor. Fato é que ela chegará e levará consigo, outros.

No caso do primogênito de uma casa, os recursos adquiridos foram ajuntados por outros. A ele estava reservado o direito de receber a porção dobrada de toda a herança de uma família, e isto incluía, todos os bens – terras, gado, servos, resultado de colheitas, enfim, tudo! O primogênito, em tese, herdaria tantas riquezas de seu pai que o faria ser o mais próspero do clã.

No livro de Deuteronômio, temos a regulamentação do direito do filho primogênito. Leiamos:

Deuteronômio 21:15-17

15 Quando um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem aborrece, e a amada e a aborrecida lhe derem filhos, e o filho primogênito for da aborrecida,

16 será que, no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, adiante do filho da aborrecida, que é o primogênito.

17 Mas ao filho da aborrecida reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver, porquanto aquele é o princípio da sua força; o direito da primogenitura seu é. (ARC)

Champlin esclarece que “provavelmente era doloroso um homem ter de dar uma herança menor a um filho da esposa “amada”. Podemos supor que esse filho fosse também o favorito. Além disso, um filho da mulher que era aborrecida por seu marido teria menos prestígio, se é que também não fosse aborrecido, como o era a sua mãe. Mas a lei da primogenitura determinava que a um filho primogênito fosse dada dupla porção da herança. Todavia, a lei como que preceituava: “Que o pai sofra a sua dor. O que ele não pode fazer é desviar-se das normas baixadas pela legislação mosaica”. 

A lei protegia os direitos de um filho primogênito, e não permitia que sentimentos e complicações matrimoniais interviessem, alterando ou diminuindo esses direitos. É verdade que o direito de primogenitura podia ser transferido (ver Gên. 21.1-21; 25.31,32). Mas este texto não aborda esse aspecto da questão, nem provê espaço para tanto. Disse Jacó a José: “Dou-te de mais que a teus irmãos um declive montanhoso, o qual tomei da mão dos amorreus com a minha espada e com o meu arco” (Gên. 48.22). Cf. II Reis 2.9. 

Cumpre-nos lembrar que deveres mais pesados recaíam sobre um filho primogênito. Ademais, ele era o primeiro produto do vigor físico de um homem,

pelo que, pelo menos simbolicamente, estava acima de outros filhos. Textos como a Mishna Bava Bathra, cap. 8, sec. 5, exibem uma adesão radical à lei da dupla porção que era direito dos filhos primogênitos. 

“Na antiguidade acreditava-se que os direitos de um filho primogénito eram inalienáveis (ver Gên. 25.29-34). Essa lei situava esse direito acima de quaisquer preferência ou rivalidade no seio da família” (Oxford Annotated Bibie, comentando sobre o versículo 16 deste capítulo)”.

Sobre o texto acima, o teólogo Jack Ford e Deasley também afirmam que a referência do texto citado é uma proteção para herdeiros não desejados. Leiamos:

“Da mesma maneira que os versículos 10 a 14 legislam contra o tratamento arbitrário de mulheres, assim os versículos 15 a 17 proíbem o tratamento arbitrário de herdeiros. A poligamia, aqui tolerada como o divórcio o foi nos versículos anteriores (cf. Mt 19.8), é fértil em debates. O desafeto que o homem sente pela mãe do seu primogênito poderia instigá-lo a transferir o direito de primogenitura, que acarretava porção dobrada da herança (17; Gn 48.22; 2 Rs 2.9). No antigo Israel, não havia tal instrumento como testamento por escrito;48 a divisão dos bens era indicada antes da morte (cf. Gn 24.36). Quando era feita, tinham de observar o rígido direito de primogenitura (16,17). O princípio da sua força (17) é melhor “a primeira pujança da virilidade do seu pai” (Moffatt).”

Porém, como bem pontuado pelo Bispo Abner Ferreira, citando J. A. Thompson, o filho mais velho, isto é, o primogênito, em ocasiões especiais poderia ser substituído e outro herdaria a bênção da primogenitura. Foi exatamente o que ocorreu nos casos de Esaú e Jacó; Efraim e Manassés e mesmo no caso de Davi e seus irmãos. Nessas ocasiões, podemos inferir que Deus em sua onisciência, sabia de antemão que a troca dos filhos mais novos em detrimento dos filhos mais velhos traria efeitos e benefícios melhores.

Em Esaú, vemos nitidamente o desinteresse e a falta de visão espiritual; no caso de Davi, temos uma intervenção puramente divina, onde o próprio Deus exclama: “achei a Davi” (Sl 89.20); “o homem segundo o meu coração” (1Sm 13.14).

O que temos na exceção a regra da bênção da primogenitura é a manifestação de Deus em oferecer grande bênção a outro que não tinha direitos genuínos sobre tal bênção. A isto chamamos de manifestação da graça de Deus, isto é, o favor imerecido.

1.2 – Bênçãos de autoridade

A palavra autoridade significa:

  1. Direito legalmente estabelecido de se fazer obedecer.
  1. Pessoa ou entidade que tem esse direito de se fazer obedecer.

Biblicamente a autoridade do primogênito refere-se ao direito e à posição de primazia concedidos ao filho mais velho em uma família. Essa noção é frequentemente encontrada nas culturas antigas, onde o primogênito tinha privilégios especiais, responsabilidades e herança específica.

Na cultura hebraica, o primogênito tinha a responsabilidade de liderar a família após a morte do pai e exercer autoridade sobre os outros membros da família.

No contexto religioso, a autoridade do primogênito é associada a práticas como o resgate do primogênito e a consagração a Deus. Na tradição bíblica, a autoridade do primogênito tem implicações espirituais e legais.

Implicações espirituais da bênção da primogenitura:

  • O primogênito é o responsável pela família, pela tribo ou clã a que pertence. Com a morte do pai, ele assume as responsabilidades de conduzir o seu povo a adoração e serviço ao verdadeiro Deus. Um clã poderia se perder espiritualmente, quando o primogênito decidisse cultuar deuses estranhos ou pagãos.
  • É o primogênito que recebe as orientações de Deus acerca de onde habitar, quando levantar acampamento e para onde deve ir. Até mesmo os lugares a serem conquistados, é Deus quem o direciona.
  • Ele instruiu o seu clã acerca dos bons casamentos, impedindo a mistura e a deterioração da fé exclusiva em Deus, ocasionada pelos casamentos mistos. 

Implicações legais da bênção da primogenitura:

  • O primogênito é legalmente o herdeiro das obrigações que antes eram do pai, por isso passa a ser honrado pelos demais integrantes do clã, pois recebeu a autoridade de conduzi-los a partir de então.
  • É ele o responsável legítimo por manter o cuidado e a proteção do clã, em especial da família e dos irmãos.
  • Ele é quem defini as negociações, acordos, contratos e pactos entre os do clã e especialmente entre os povos que se relacionam ao redor.

As atitudes de Esaú demonstraram que ele não estava à altura de tamanha honra espiritual e legal.

1.3 – Bênçãos de representatividade

Os patriarcas desempenharam um papel fundamental na manutenção da promessa de Deus ao longo da história bíblica. Eles foram líderes e figuras centrais na história de Israel, escolhidos por Deus para serem instrumentos da Sua vontade e para dar continuidade à Sua promessa. Os principais patriarcas mencionados no Antigo Testamento são Abraão, Isaque e Jacó.

A benção da representatividade consistia em que o primogênito, desse a continuidade da promessa, mantendo viva a fé em Deus através da obediência.

Deus escolheu Abraão e fez uma aliança com ele, prometendo abençoá-lo e tornar sua descendência numerosa (Gn 12:1-3). Abraão demonstrou fé e obediência a Deus, deixando sua terra e seguindo as instruções divinas. Ele se tornou conhecido como o “pai da fé”.

Isaque foi o filho de Abraão e Sara, e a promessa de Deus foi estendida a ele (Gn 26:2-5). Isaque continuou a obedecer a Deus e a transmitir a promessa para a próxima geração.

Esaú seria o herdeiro da promessa, mas ao vender o direito da primogenitura, a responsabilidade foi passada para o seu irmão, Jacó.

Jacó, filho de Isaque e neto de Abraão, também recebeu a promessa de Deus (Gn 28:13-15). Ele se tornou conhecido como Israel e foi o pai das doze tribos de Israel. Jacó teve uma relação especial com Deus e seus descendentes se tornaram o povo escolhido por Deus.

Os patriarcas, ao obedecerem a Deus e manterem sua fé, foram instrumentos nas mãos de Deus para a preservação da promessa. Eles enfrentaram desafios e provações, mas, no geral, mantiveram a fidelidade a Deus e transmitiram a promessa de geração em geração.

Os patriarcas exerceram um papel importante na preservação da fé e da adoração a Deus. Eles construíram altares, ofereceram sacrifícios e transmitiram o conhecimento de Deus às gerações seguintes. Eles também agiram como líderes e juízes dentro de suas famílias e comunidades, guiando e instruindo seus descendentes.

Além disso, os patriarcas também foram responsáveis por estabelecer os alicerces da fé e dos princípios que formariam a base do povo de Israel.

A fidelidade dos patriarcas em seguir a Deus e manter a promessa divina desempenhou um papel crucial no cumprimento do plano de Deus para a redenção da humanidade. A descendência de Abraão, por meio dos patriarcas, eventualmente se tornou o povo de Israel, através do qual Deus enviaria o Messias, Jesus Cristo, para cumprir a promessa de salvação.

Em resumo, os patriarcas foram instrumentos-chave na manutenção da promessa de Deus. Eles demonstraram fé, liderança e obediência a Deus, transmitindo a promessa de geração em geração. Sua fidelidade e devoção contribuíram para a continuidade do plano divino de redenção. 

2 – O DESPREZO ÀS BÊNÇÃOS DA PRIMOGENITURA

Evangelista Cláudio Roberto de Souza

Para continuar lendo esse esboço CLIQUE AQUI e escolha um dos nossos planos!

É com muita alegria que nos dirigimos a você informando que a EBD Comentada já está disponibilizando os planos de assinaturas para que você possa continuar a usufruir dos nossos conteúdos com a qualidade já conhecida e garantida.

Informamos também que apoiamos o seguinte trabalho evangelístico:

  • SENAMI (Secretária Nacional de Missões) – Através de parceria auxiliamos o pastor/missionário Osvair Braga, família e sua equipe de missionários na Venezuela;

CLIQUE AQUI para ser nosso parceiro missionário e continuar estudando a lição conosco…

Deus lhe abençoe ricamente!!!

Equipe EBD Comentada

Postado por ebd-comentada


Acesse os esboços por categorias


Copyright Março 2017 © EBD Comentada