Lição 1 – BETEL Adultos – 1º Trimestre 2026
TEXTO ÁUREO
Colossenses 3.10
10 E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.
TEXTOS DE REFERÊNCIA
Romanos 6.2-6
2 De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?
3 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?
4 De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.
5 Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também seremos na sua ressurreição.
6 Sabendo isto: que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.
OBJETIVOS DA LIÇÃO
- Reconhecer o valor do arrependimento para a vida cristã.
- Ressaltar que em Jesus somos nova criatura.
- Saber que Cristo nos oferece uma nova vida.
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, exploraremos a jornada do discípulo de Cristo. Crescendo em maturidade espiritual, viveremos a missão de Deus, buscando uma vida de propósito que nos conduzirá à eternidade com Jesus
A essência da experiência cristã reside em uma profunda metamorfose existencial, onde o ser humano é confrontado com a urgência de um arrependimento sincero e uma fé inabalável em Jesus Cristo. Este despertar espiritual, catalisado pela proclamação vibrante do Evangelho e pela obra soberana do Espírito Santo, opera uma libertação da antiga servidão ao pecado. Ao abraçar o discipulado, o crente é radicalmente recriado, não mais refém de impulsos carnais, mas capacitado a viver em alinhamento com a vontade divina, manifestando a glória de Deus em cada aspecto de sua jornada terrena.
1 – UMA NOVA DIMENSÃO DE VIDA
Desde a ancestral desobediência, a humanidade se encontra intrinsecamente inclinada ao erro, gerando uma universal separação de Deus e a inevitável mortalidade (Romanos 5:12; 3:23). Contudo, a misericórdia divina oferece um caminho de retorno: o imperativo do arrependimento. Este chamado à reorientação da vida, insistentemente proclamado por João Batista, solenemente inaugurado por Jesus Cristo com a chegada do Reino dos Céus (Mateus 4:17), e ferventemete perpetuado pelos Apóstolos, é a chave para a restauração da comunhão e a experiência de uma existência transformada.
1.1 – O arrependimento é uma ordenança
A Voz Profética e o Chamado ao Retorno
No cenário do Antigo Testamento, os profetas não eram meros arautos de previsões futuras, mas, primordialmente, porta-vozes da consciência divina para Israel. Sua incumbência principal era confrontar uma nação que frequentemente se desviava da aliança com Deus, pregando uma mensagem incisiva de arrependimento. A palavra hebraica para arrependimento, “shuv” (שוב), carrega em si a poderosa imagem de “voltar-se”, “retornar” – um movimento de 180 graus na direção oposta ao caminho de desobediência. Passagens como Isaías 30:15, onde a salvação é prometida no “descanso e na confiança”, e Jeremias 8:6, que lamenta a ausência de um “arrependimento da sua maldade”, ilustram a persistente exortação para que o povo abandonasse a idolatria e as injustiças, retornando à fidelidade ao Senhor. Essa não era uma sugestão, mas uma ordenança fundamental para a restauração da relação pactual.
A Metamorfose do Caráter na Nova Aliança
O arrependimento bíblico transcende uma mera lamentação superficial por atos errados; ele implica uma profunda metamorfose do caráter, um despojamento do “velho homem” e um revestimento do “novo homem”, conforme ensina Colossenses 3:9-10. Na cultura antiga, muitas religiões pagãs ofereciam rituais de purificação ou sacrifícios para apaziguar divindades, mas raramente exigiam uma mudança interna radical. O chamado profético, e posteriormente apostólico, ao arrependimento, contrasta com essa visão, demandando uma alteração genuína de mente e coração que se manifesta em novas atitudes e comportamentos. É uma decisão consciente de abandonar as práticas que desonram a Deus e abraçar uma vida que reflete Seus valores, um processo contínuo de alinhamento com a retidão e a justiça divinas.
“O arrependimento, em sua essência, não é apenas um lamento pelos pecados cometidos, mas uma mudança radical de mente e propósito que leva a uma nova direção na vida. É a virada do coração de volta para Deus, uma renúncia ao egoísmo e uma submissão à Sua soberania. Sem essa transformação interior, qualquer confissão permanece vazia e sem poder para restaurar a comunhão com o Criador.” (John Stott, A Cruz de Cristo, Editora Ultimato, 2006, p. 123).
O Espírito Santo e a Convicção Irresistível
A profundidade do arrependimento bíblico é alcançada não por esforço humano isolado, mas pela poderosa e irresistível ação do Espírito Santo, que opera a convicção do pecado no coração humano. A palavra grega “metanoia” (μετάνοια), que frequentemente traduzimos como arrependimento, significa literalmente “mudança de mente” ou “depois do pensamento”, indicando uma reorientação intelectual e volitiva. O Espírito Santo, conforme João 16:8, “convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo”, preparando o terreno para que a Palavra de Deus, pregada e viva (Romanos 10:14; Hebreus 4:12), penetre as camadas mais profundas da alma. Essa convicção não é meramente um sentimento de culpa, mas uma percepção clara da santidade de Deus e da própria falha, impelindo o indivíduo a buscar a única solução para o problema do pecado: a graça redentora de Jesus Cristo.
A Necessidade Universal do Arrependimento
Complementando a perspectiva de Pastor Jandiro A. Silva, o teólogo R. C. Sproul enfatiza que o arrependimento não é uma opção para alguns, mas uma exigência divina para todos, intrinsecamente ligada à fé salvadora. Ele argumenta que “o arrependimento não é uma obra meritória pela qual ganhamos a salvação, mas é a resposta necessária do pecador à graça de Deus, um giro de 180 graus de uma vida de pecado para uma vida de obediência a Cristo” (R.C. Sproul, Eleitos de Deus, Editora Fiel, 2011, p. 156). Essa visão corrobora a ideia de que a convicção do Espírito Santo nos leva a uma mudança de direção, reconhecendo a soberania de Deus e a necessidade de abandonar o pecado para andar em Seus caminhos, um ato de fé e submissão.
Aplicação: Em nossa era de autossuficiência e relativismo, a ideia de arrependimento pode parecer antiquada. No entanto, assim como um navegador que percebe estar fora de rota precisa recalcular seu curso para chegar ao destino desejado, nós também precisamos de uma reorientação constante. O arrependimento é esse “recalcular de rota” espiritual, uma oportunidade diária de alinhar nossa bússola moral com os padrões divinos, garantindo que nossa jornada nos leve à plenitude em Cristo.
Pergunta para Reflexão: Como a compreensão do arrependimento como uma ordenança divina, e não apenas um sentimento, desafia nossa percepção de fé e nos impulsiona a uma transformação contínua em todas as áreas da vida?
1.2 – O arrependimento conduz à Salvação
A Distância da Glória Divina
A afirmação de Paulo em Romanos 3:23, de que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, revela uma condição universal da humanidade. A “glória de Deus” aqui não se refere apenas a um brilho celestial, mas à Sua presença manifesta, à Sua santidade e ao Seu padrão perfeito. No contexto judaico antigo, estar “destituído da glória” significava ser impedido de se aproximar do sagrado, de ter comunhão plena com o Criador, como Adão e Eva foram expulsos do Éden (Gênesis 3). O pecado, em sua essência, é “errar o alvo” (do grego hamartia), uma falha em corresponder ao propósito divino para a nossa existência, criando uma barreira intransponível que somente o arrependimento pode começar a derrubar.
A Essência da Metanoia
Como vimos, o arrependimento bíblico, traduzido do grego metanoia (μετάνοια), é muito mais do que um mero sentimento de tristeza ou remorso pelo pecado cometido. Embora a tristeza seja um componente inicial e natural, a metanoia implica uma radical “mudança de mente”, uma reorientação completa do pensamento, dos valores e, consequentemente, da direção da vida. É uma decisão consciente de abandonar o caminho que leva à separação de Deus e de abraçar o caminho da retidão. Não se trata de lamentar ter sido pego em erro, mas de reconhecer o erro em si e decidir não mais praticá-lo, buscando ativamente uma nova conduta. Um exemplo prático é a história do Filho Pródigo (Lucas 15), que, ao “cair em si”, não apenas sentiu remorso, mas tomou a decisão de retornar ao pai.
“O arrependimento não é meramente uma emoção, mas uma decisão da vontade. É uma virada consciente de costas para o pecado e de frente para Deus. É a admissão da nossa falha e a aceitação da Sua soberania, um passo fundamental para a reconciliação e a restauração da nossa relação com o Criador.” (John MacArthur, A Salvação Facilitada, Editora Cultura Cristã, 2011, p. 78).
O Chamado Urgente de Jesus
Jesus, ao iniciar Seu ministério, não apenas ofereceu uma nova mensagem, mas emitiu uma ordem imperativa: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:17). Este não era um convite opcional, mas um comando urgente, pois a chegada do Reino de Deus significava que o tempo da velha ordem estava acabando e uma nova realidade estava sendo inaugurada. O arrependimento se torna, assim, a porta de entrada para essa nova realidade, uma condição sine qua non (indispensável, essencial) para experimentar a salvação e a vida plena que o Reino oferece. É um chamado à ação imediata, pois a oportunidade de reconciliação com Deus é presente e não deve ser adiada.
A Transformação pelo Encontro com Cristo
O teólogo John Piper ressalta que o arrependimento é a resposta natural e alegre à beleza e supremacia de Cristo reveladas no Evangelho. Ele afirma que “o arrependimento é a virada do coração de uma valorização do pecado para uma valorização de Cristo. É a alegria em Deus que nos afasta do que antes nos satisfazia, mas agora parece sem valor diante da glória de Jesus” (John Piper, Em Busca de Deus: A Supremacia de Deus em Todas as Coisas, Editora Fiel, 2014, p. 102). Essa perspectiva sublinha que a mudança de direção não é motivada apenas pelo medo, mas por uma atração irresistível pela Pessoa de Cristo.
Aplicação: No cotidiano, o arrependimento é como um espelho que nos permite ver a verdade sobre nós mesmos e, em seguida, um mapa que nos guia para um caminho melhor. Não é sobre se sentir mal, mas sobre agir diferente. É a coragem de admitir um erro, pedir perdão e mudar a atitude, transformando a falha em um degrau para o crescimento espiritual e a restauração de relacionamentos.
Pergunta para Reflexão: Se o arrependimento é a porta para a salvação, qual área de sua vida você precisa reorientar hoje para experimentar mais plenamente a glória e a presença de Deus?
1.3 – O arrependimento e a nova criatura
A Inseparável Dança da Fé e Arrependimento
A proclamação inaugural de Jesus, “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15), revela a intrínseca e inseparável natureza do arrependimento e da fé. Não são atos sequenciais, mas dois lados da mesma moeda na experiência da conversão. O arrependimento (metanoia), a mudança de mente e direção, é impulsionado pela fé (pistis), que significa confiança e entrega total à mensagem salvadora de Cristo. Enquanto o arrependimento se afasta do pecado, a fé se volta para Deus. Na cultura greco-romana, “fé” muitas vezes se resumia a um assentimento intelectual a dogmas, mas Jesus exigia uma fé ativa, que transformasse a vida e fosse evidenciada por uma mudança radical de comportamento.
A Radicalidade da Nova Criação
Ser uma “nova criatura” em Cristo, conforme 2 Coríntios 5:17, transcende a mera melhoria moral; é uma transformação ontológica, um renascimento espiritual. A expressão grega kainē ktisis denota algo inteiramente novo em espécie, não apenas uma versão aprimorada do que já existia. É como a metamorfose de uma lagarta em borboleta: não se torna uma lagarta “melhor”, mas uma entidade completamente diferente, com nova natureza e capacidade de voo. Essa nova identidade implica uma mudança de senhorio, onde a vida não é mais governada pelos próprios desejos pecaminosos, mas pela vontade de Deus, evidenciando um novo propósito e uma nova direção.
“A nova criação não é uma reforma, mas uma revolução. Não é uma maquiagem, mas uma ressurreição. O Espírito Santo nos dá uma nova natureza, um novo coração, uma nova mente, e nos capacita a viver para a glória de Deus. É a obra mais profunda e radical que Deus realiza no ser humano.” (Wayne Grudem, Teologia Sistemática, Editora Vida Nova, 1999, p. 726).
Vivendo a Realidade Justificada
A justificação, não é apenas um veredito legal de “inocente” perante Deus, mas o início de uma vida que se torna “realmente justa”. Isso se manifesta em uma união profunda com o Senhor, onde a fé em Cristo se traduz em uma existência dedicada exclusivamente a Ele. Gálatas 2:19-20 ilustra essa realidade: “estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Essa “nova vida” é um caminhar diário em novidade, onde as escolhas, prioridades e relacionamentos são redefinidos pela presença do Espírito Santo, que nos capacita a refletir o caráter de Cristo em um mundo que anseia por esperança.
A Coerência entre Justificação e Santificação
O teólogo J. I. Packer destaca a intrínseca ligação entre justificação e santificação. Ele afirma: “A justificação nos declara justos, mas a santificação nos torna justos. Ambas são obras de Deus, inseparáveis na experiência cristã. Não há justificação sem santificação subsequente, e a santificação é a evidência viva de uma justificação genuína” (J. I. Packer, Conhecendo Deus, Editora Mundo Cristão, 1993, p. 182). Essa perspectiva reforça que a nova criatura não apenas tem um novo status, mas também uma nova conduta, impulsionada pela obra contínua do Espírito.
Aplicação: Ser uma nova criatura em Cristo significa que não estamos mais presos ao nosso passado ou às nossas falhas. É como receber uma segunda chance na vida, com um novo manual de instruções e um novo propósito. Isso nos capacita a perdoar, amar e servir, transformando cada dia em uma oportunidade para manifestar a beleza do caráter de Cristo, impactando positivamente o mundo ao nosso redor.
Pergunta para Reflexão: De que maneira a sua vida diária reflete a realidade de que você é uma “nova criatura” em Cristo, e como essa verdade o impulsiona a viver com um propósito renovado?
2 – EM CRISTO SOMOS NOVA CRIATURA
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Organizado por Evangelista Cláudio Roberto de Souza
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